Nem sempre é fácil pensar, falar ou escrever
sobre os problemas que ocorrem durante a gestação, pois neste período mágico da
vida queremos só o lado bom de tudo, mas as complicações existem e não podemos
ignora-las, por isso vou passar por aqui de vez em quando. Para começar:
Hipertensão!
As síndromes hipertensivas respondem pelas complicações
clínicas mais comuns da gestação e podem levar a restrição de crescimento
intra-uterino, prematuridade, descolamento prematuro de placenta, diminuição do
liquido amniótico, morte fetal e morte materna.
São classificadas como:
Hipertensão
arterial crônica: refere-se à presença de hipertensão arterial sistêmica - HAS (pressão
arterial maior do que 140 x 90 mmHg) diagnosticada antes
da gestação ou com aparecimento antes da 20ª de gestação, ou ainda por
hipertensão diagnosticada em qualquer fase da gestação , mas que persiste além
de 12 semanas após o parto.
Hipertensão
gestacional: é a hipertensão que se manifesta somente na gestação ou nas
primeiras 24 horas após o parto e não é acompanhada de proteinúria (eliminação
de proteína pela urina, medida em urina coletada por 24 horas) ou de HAS
preexistente, e retorna aos níveis normais em até 12 semanas após o parto.
Crise Hipertensiva: é um episódio agudo e rápido de
elevação da pressão arterial acompanhada de rubor, alteração do comportamento, dor
de cabeça, dificuldade para respirar, torpor e alterações visuais. Surge,
geralmente, no curso de uma doença.
Pré-eclâmpsia:
é uma doença de causa desconhecida, exclusiva da gestação, que ocorre após a
20ª semana de gestação, frequentemente próximo ao termo e na maioria das vezes
em primigestas. Também chamada de doença hipertensiva especifica da gestação
(DHEG). É caracterizada por HAS, edema generalizado, principalmente mãos e
face, e proteinúria, são essas características que definem a doença e que
talvez você já tenha ouvido falar como a tríade da pré-eclâmpsia. São fatores
de risco para desenvolvimento da doença: primiparidade, gestação múltipla,
hipertensão, pré-eclâmpsia em gestação anterior, diabetes gestacional, idade
materna, obesidade, alimentação, exposição limitada ao esperma do parceiro,
história familiar de pré-eclâmpsia e infecção materna. Nas formas leves de
pré-eclâmpsia os cuidados são repouso e controle da pressão arterial, além da
monitorização fetal. Nas formas graves, a internação por vezes, pode ser
necessária, além da profilaxia da convulsão. Casa haja sofrimento fetal ou
risco para a gestante, a gravidez, geralmente, é interrompida. Nestes casos,
dependendo da idade gestacional, o bebê pode precisar de cuidados mais
intensivos. A pré-eclâmpsia é uma doença reversível, que começa a desaparecer
depois do parto.
Hipertensão arterial crônica com
pré-eclâmpsia superajuntada: a pré-eclâmpsia pode ocorrer em mulher que já eram hipertensas antes da
gestação, daí o nome superajuntada ou sobreposta. O diagnóstico é feito quando
surge a proteinúria ou o edema, após a 20ª semana de gestação.
Eclâmpsia:
presença
de convulsão, que não pode ser atribuída a outras causas, em mulheres com
pré-eclâmpsia, é tida como forma grave de pré-eclâmpsia. É precedida pelo
agravamento do quadro hipertensivo e por sintomas que são próprios da iminência
de eclâmpsia como: dor de cabeça, visão dupla, visão turva, visão escura, por
vezes acompanhada pela percepção de pontos brilhantes e dor de estômago.
Geralmente ocorre no último trimestre de gestação ou puerpério imediato.
Raramente ocorre nos dois primeiros trimestres da gestação e no puerpério
tardio.
Síndrome HELLP (Hemolysis, Elevated Liver Enzymes, Low
Platelets): é uma forma grave de pré-eclâmpsia caracterizada
pelo aparecimento de hemólise (quebra dos glóbulos vermelhos do sangue),
elevação das enzimas hepáticas e queda de plaquetas em gestantes que
apresentação quadro de hipertensão. As alterações nem sempre aprecem ao mesmo
tempo, por isso há a distinção de síndrome HELLP parcial e total. O diagnóstico
clínico pode ser feito por sintomas como mal-estar geral, náuseas, vômito,
icterícia, hipertensão grave, dor de estômago, alterações de comportamento,
sangramento gengival, distúrbios visuais. Em alguns casos o numero de plaquetas
continua a diminuir nos primeiros dois dias após o parto, para, então, se normalizar
progressivamente. Uma vez diagnosticada o manejo da doença é realizado como o
da pré-eclâmpsia.
Graças
a medicações que são seguras para serem usadas durante a lactação por não
trazem risco ao bebê, é possível o manejo adequado da pressão arterial após o
parto, quando necessário, e ainda amamentar.
Fernanda Carini da Silva é enfermeira, graduada pela USP, mestre pelo ICB- USP e aluna do doutorado pela Faculdade de medicina da USP. Uma grande amiga-irmã, que eu adoro demais!