terça-feira, 3 de julho de 2012

O aumento da pressão na gravidez


Nem sempre é fácil pensar, falar ou escrever sobre os problemas que ocorrem durante a gestação, pois neste período mágico da vida queremos só o lado bom de tudo, mas as complicações existem e não podemos ignora-las, por isso vou passar por aqui de vez em quando. Para começar: Hipertensão!

As síndromes hipertensivas respondem pelas complicações clínicas mais comuns da gestação e podem levar a restrição de crescimento intra-uterino, prematuridade, descolamento prematuro de placenta, diminuição do liquido amniótico, morte fetal e morte materna.  São classificadas como:

Hipertensão arterial crônica: refere-se à presença de hipertensão arterial sistêmica - HAS (pressão arterial maior do que 140 x 90 mmHg) diagnosticada antes da gestação ou com aparecimento antes da 20ª de gestação, ou ainda por hipertensão diagnosticada em qualquer fase da gestação , mas que persiste além de 12 semanas após o parto.

Hipertensão gestacional: é a hipertensão que se manifesta somente na gestação ou nas primeiras 24 horas após o parto e não é acompanhada de proteinúria (eliminação de proteína pela urina, medida em urina coletada por 24 horas) ou de HAS preexistente, e retorna aos níveis normais em até 12 semanas após o parto.

Crise Hipertensiva: é um episódio agudo e rápido de elevação da pressão arterial acompanhada de rubor, alteração do comportamento, dor de cabeça, dificuldade para respirar, torpor e alterações visuais. Surge, geralmente, no curso de uma doença.

Pré-eclâmpsia: é uma doença de causa desconhecida, exclusiva da gestação, que ocorre após a 20ª semana de gestação, frequentemente próximo ao termo e na maioria das vezes em primigestas. Também chamada de doença hipertensiva especifica da gestação (DHEG). É caracterizada por HAS, edema generalizado, principalmente mãos e face, e proteinúria, são essas características que definem a doença e que talvez você já tenha ouvido falar como a tríade da pré-eclâmpsia. São fatores de risco para desenvolvimento da doença: primiparidade, gestação múltipla, hipertensão, pré-eclâmpsia em gestação anterior, diabetes gestacional, idade materna, obesidade, alimentação, exposição limitada ao esperma do parceiro, história familiar de pré-eclâmpsia e infecção materna. Nas formas leves de pré-eclâmpsia os cuidados são repouso e controle da pressão arterial, além da monitorização fetal. Nas formas graves, a internação por vezes, pode ser necessária, além da profilaxia da convulsão. Casa haja sofrimento fetal ou risco para a gestante, a gravidez, geralmente, é interrompida. Nestes casos, dependendo da idade gestacional, o bebê pode precisar de cuidados mais intensivos. A pré-eclâmpsia é uma doença reversível, que começa a desaparecer depois do parto.

Hipertensão arterial crônica com pré-eclâmpsia superajuntada: a pré-eclâmpsia pode ocorrer em mulher que já eram hipertensas antes da gestação, daí o nome superajuntada ou sobreposta. O diagnóstico é feito quando surge a proteinúria ou o edema, após a 20ª semana de gestação.

Eclâmpsia: presença de convulsão, que não pode ser atribuída a outras causas, em mulheres com pré-eclâmpsia, é tida como forma grave de pré-eclâmpsia. É precedida pelo agravamento do quadro hipertensivo e por sintomas que são próprios da iminência de eclâmpsia como: dor de cabeça, visão dupla, visão turva, visão escura, por vezes acompanhada pela percepção de pontos brilhantes e dor de estômago. Geralmente ocorre no último trimestre de gestação ou puerpério imediato. Raramente ocorre nos dois primeiros trimestres da gestação e no puerpério tardio.

Síndrome HELLP (Hemolysis, Elevated Liver Enzymes, Low Platelets): é uma forma grave de pré-eclâmpsia caracterizada pelo aparecimento de hemólise (quebra dos glóbulos vermelhos do sangue), elevação das enzimas hepáticas e queda de plaquetas em gestantes que apresentação quadro de hipertensão. As alterações nem sempre aprecem ao mesmo tempo, por isso há a distinção de síndrome HELLP parcial e total. O diagnóstico clínico pode ser feito por sintomas como mal-estar geral, náuseas, vômito, icterícia, hipertensão grave, dor de estômago, alterações de comportamento, sangramento gengival, distúrbios visuais. Em alguns casos o numero de plaquetas continua a diminuir nos primeiros dois dias após o parto, para, então, se normalizar progressivamente. Uma vez diagnosticada o manejo da doença é realizado como o da pré-eclâmpsia.

Graças a medicações que são seguras para serem usadas durante a lactação por não trazem risco ao bebê, é possível o manejo adequado da pressão arterial após o parto, quando necessário, e ainda amamentar.

Fernanda Carini da Silva é enfermeira, graduada pela USP, mestre pelo ICB- USP e aluna do doutorado pela Faculdade de medicina da USP.  Uma grande amiga-irmã, que eu adoro demais!

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